sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

GÓLGOTA (wikcionario wiki wik dicionario aurelio houais online )


Busquei mas não achei
seus olhos nas órbitas

Não que faltasse as órbitas
porém porque
não as iluminava
a alma de antes
cheia de amor
- do amor dantes
neles dançante-cantante
na paixão de Dante
- dos Dantes de antes
de Orfeu e Romeu
- e Julieta!...:
ou Ofélia morta no arroio
afogada noiva
de Marc Chagall
e Shakespeare em Hamlet!
Oh! na Paixão de Cristo!
em cruz
via "Crucis"
calvário
Gólgota... )

Naqueles olhos magoados
achei uma água cavada
de álveo abandonado
encontradiço
no direito dos homens jurídicos
roliços...

Tanta água
tamanha mágoa
à montante e à jusante!...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ODORA O AR, ADORA O VENTO COM SUA FRAGRÂNCIA


O homem é Giorgio de Chirico!

Solitário passo entre as casas
- Sou Giorgio de Chirico!
O homem que sou
é um de Chirico...:
um Giogio de Chirico!

Em solitude absoluta
passo com o sapato
cujo chiado em atrito com o solo
canta a solidão relativa
reativa
ratificada
pela cantaria obrada em desenho de gárgula
no canto debuxado nas pedras
da igreja cujo cantochão
canta ao rés-do-chão
- ao rás do chão...,
razoavelmente

Passo no passo do sapato
que recolheu pedras no caminho
de Carlos Drummond de Andrade
cavalgando a mulinha do leite
qual fosse outro Dom Quixote de La Mancha,
digo : das minas gerais
de Minas Gerais
dos campos gerais...

Olhos d´água me molham o verso
- olhos na água que me espelha
e especula-me a solidão pétrea
de um Narciso-monge-cartuxo

Mesmo quem me toca
- toca-me tuba trombone saxofone
violino piano
ou instrumento de percussão
porquanto o homem carrega-os em si
no si musical da Musa
que inventou a música
o músico e o instrumento musical

Contudo Musa que é musa
é criatura de homem
- o criador da não-natureza
na cultura
objeto de estudo
para astuto etnólogo
empós etnografia de Malinovski
nas Ilhas Trobriand
assentados sobre atóis coralinos
( porém prefiro imaginar
a Polinésia para os Argonautas do polonês
- nautas em outras plagas
Melanésia Micronésia
território de Guam... )

O homem
o monge
o solitário...:
sou Giorgio de Chirico
e na minh'alma
a solidão tem tal acento tônico
tal tonicidade grave
que quando beijo
não me beija ela
pois quando ela beija
não há beijo meu
em correspondência
porque o beijo de Klint
nem o meu
nem tampouco o beijo dela
por mais sequioso ou ávido
que estejam os lábios carnudos
no vermelho do batom
não pode ser correspondido
- que é a solidão do homem
é barreira intransponível
ainda para a mulher amada! :
Ou o filho e a filha queridos
amados entes
( O ósculo e o amplexo
é sempre o de Heitor e Andrômaca
na escultura de Giorgio de Chirico
que olha para a perspectiva
do impensável filosófico
retratando a melancolia profunda
afiada pelo outono à tarde
- Ah! tudo é muito tarde!
para qualquer gesto desesperado
- de Klint! )

O homem sou eu
- e eu sou Giorgio de Chirico! :
ou a solidão nefasta
de Giorgio de Chirico
segue-me como sombra
sombria na noite fria
pintada a Joan Miró
na melhor noite
da solidão espasmódica da mulher
- dentro da vela da noite escura
no breu das trevas
com negro batom,
nigérrimo esmalte nas unhas
para arranhar a tez

Eu sou o homem!
- sou Giorgio de Chirico
em vasta e impensada solidão :
lancinante solitude noctambular!
Errante entre os noctívagos
vagos vagabundos vadios
errabundos vaga-lumes

Sozinho na vela da treva
navego no barco à vela negra
rompendo a treva espessa
guiado pela esguia enguia
que enche a barra da alva
na flor de laranjeira
que odora o ar
- que adora o vento
com sua fragrância
a incensar a brisa
em noite negra
na qual sigo impensável
a cavaleiro de mim
- no meu rasto
que é o único
que posso ver ou ler no chão
quer faça treva ou luz
preto no branco
do xadrez no claro-escuro
do dia e noite
vida e morte

Sou Giorgio de Chirico
em cada solidão pintada!
- e ninguém tem poder
para atravessar esta solidão espessa
entre mim e o mundo

Entre os outros seres humanos e eu
há uma barreira interposta...:
- inviolável fortaleza!ODORA

domingo, 25 de dezembro de 2011

BANDEIRA (wikcionario wiki wik dicionario filosofico cientifico online informal)

Passando por um renque de árvores
com pássaros cantantes
logo acima do cananeu
que não era eu
senti vontade de ficar ali
parar ali
para sempre
se a locução adverbial "para sempre"
existisse
fosse fato
e não ato pensante-pensado
e, concomitantemente, estivesse
fora do vocábulo
porquanto a existência está por fora
do outro lado da alma
espelhada em Alice
jogada e perdida no mundo
para onde foge o ser
na alienação do homem
enquanto a essência vai por dentro
roendo a vida com radicais livres
corroídos por anti-oxidantes

Quedar ali embaixo da ramagem
sentado no Buda
que sou
- que somos todos os indivíduos... :
Louco de pedra-pome,
doido varrido,
sentado em lótus
sob a alêia aléia alameda
álamo bulevar ambulacro...,
ó Manuel Bandeira!...
- senhor de tantas andorinhas!
mas que não obstante
tanta andorinha e tanto tamanduá-bandeira
não me ouve mais
porque extinto está
debaixo das ervas daninhas
sob pedra tumular
solo sobre o qual outrossim
não mais palmilha Drummond
pelo caminho da pedra
em meio ao caminho do pé
calcado no sapato torto
( o sapato velho é um torto anjo
que dá azo ao azar
e a bazar de quinquilharias )
Ambos os poetas
hoje são
o que não não são
nem tampouco estão sãos
nem são em São Petersburgo
nem ser nem santos
nem corre processo canônico
conquanto já jazem
em jazigos estão
abaixo da pedra do burgo
da pedra de Pedro
da pedra São Pedro
e da pedra que havia
a meio caminho do sapato
florido em Mário Quintana
escrito na carta de Caminha
a caminho das especiarias
e da pedra que é
o seu corpo desfeito
decomposto
na cal do osso
com o resto da alma
no sopro restante
presa nos ossos
entre ossos encerrada
sonhando com um soprador
um tocador de tuba
que a expire dessa flauta
na dança dos signos no ar
escritos em parábolas senoidais
bailarinas-musas no vento
Todavia tudo
o que descrevi
foi só um momento
que ficou engasgado no tempo
em pedra de descaminho
- para caminhar descalço
carmelita
sobre elas a caminho
para a planície do Esdrelão
- um instante de apedrejamento íntimo
( ou de liberdade cínica
- Total?!
Total só no ideal
no real não )

Foi num tempo para semear
tempo no semeador
que fiquei ali plantado
sob chuva
junto à aleia e as ervas
à sombra da alameda
doido de jogar pedra
- pedra a caminho
de Eras geológicas
profetizada em geóglifos

domingo, 4 de dezembro de 2011

FILIGRANAS (wikcionario wiki wik dicionario etimologico enciclopedico houais )


O conceito de negócio jurídico desenha geometricamente ( todo desenho desde Euclides é geométrico, mensura e contém formas ideias de figuras delineadas com "lápis" sobre o perímetro dos corpos figurados, sendo a geometria abstracção do conteúdo e concretização da forma : ideia desenhada, concebida sem pecado, no jargão da Igreja, a "Mater e Magister" do indivíduo ocidental em assembleia : comunidade ) um ato, que, após desenhado (tomado em corpo hipotético : hipótese, sob a abstração dos signos da língua-escrita ou cantada em coro na tragédia comunitária com seus atores-personagens ou hipócritas, que somos todos em sociedade, porquanto o viver social é um conviviver que exige personagens rígidas, desumanizadas, varadas pela imaginação da baixa literatura de Agatha Christie e Conan Doyle e não da alta literatura de Dostoievski, Tolstoi, Dickens, Machado de Assis ) se põe no mundo enquanto fato consumado.Fato é sempre a consumação de ato ou atos enlaçados, trançados no vime, encadeados .
O negócio jurídico, aparadas as filigranas dos doutos, é um negócio como outro qualquer, apenas amparado ou estribado em lei, ou que se passa sob a forma prescrita em lei. Ritos do contato e do testamento.
Todo testamento é m negócio jurídico, inclusive o Velho e o Novo Testamento bíblico, que nos remete e destina a um legado e a uma herança social e, ao mesmo tempo, é um contato social da lavra de Rousseau e da exegese de Hobbes, no "Leviatã". Enfim, um pacto, o tal contrato genérico, que se presume universal, porquanto direito é mais presunção que realidade "cognoscitiva" ; se não for muita presunção, total presunção! E nada mais que isso, fora do rito imprimido pelo princípio da razão suficiente, que presunção bastante para se pensar e fazer de tudo com o outo, desde que esteja dentro do âmbito da lei, a nova deusa e tirana, o novo despotismo, que é novo somente na aparência .Porém antes da lei emergir, vem o costume, onde se funda, onde tem pé a legislação vigente e revogada, essas deusas e senhoras das gentes e dos indivíduos. Nossas Senhoras dos Pavores dos pobres e oprimidos, protetoras do ricos e poderosos! .
Lei não fundeada em costume é lei sem âncora, ideal romântico; contudo, tal romantismo traz no bojo algo de malícia ou até maldade ( perversidade social ) e candidez angelical , ou candidez na mensagem.Aliás, "a mensagem é o meio " e o anjo ( a lei é um,a mensagem, antes de tudo : carreia dois fardos, para dizer do corpo ou alma dicotômica do pensamento que aflora na comunicação da realidade-idealidade, na qual vive o homem em corpo, alma (sem alma ou vida soprada no oboé das narinas pelo anjo torto do vento em curvas sibilinas-sibiladas, em silvos de serpente na selva ou savana africana) e espírito (sopro hebraico, da língua hebraica na boca do hebreu).
O homem, enquanto indivíduo pobre e submetido, vive sob o que "vige" a lei, que é a expressão da vontade dos que detém o poder político, que é econômico, científico, jurídico : são todos os poderes de fato e de direito, conquanto não de direito puro, ideal, enquanto ideia não alienada no mundo dos donos da sociedade e suas pertenças, dentre as quais o direito é uma, as obras de arte outras tantas e assim as fêmeas e os direitos conquistados sob o gume da espada do direito, que se passa a chamar justiça quando alguns homens remunerados com soldos ou vencimentos de magistrados representam o povo rico, contra o povo pobre e miserável, que sobra em votos nas urnas e nos esgotos, junto aos ratos e ratazanas.
A sociedade sempre foi assim : campo de ignomínia. Leia o Velho Testamento!, sem olhos de ovelha ou pastor ou doutor : com olhos de homem e mulher livres, não alienados pela quantidade de dinheiro ou cargos e encargos sociais que pesam sobre as espáduas.
E se se fala em negócio jurídico é porque há negócios escusos, que turbam as águas claras do direito dos justos e lançam âncora no mercado negro, o qual explora a parte sombria do direito : o direito negro, que faz a sombra do mercado negro, onde sobrevive a grande maioria, mormente nos países de altos índices de pobreza e desigualdade sócio-econômico, ou seja, de injustiça.Onde a injustiça grassa, é uma peste endêmica-epidêmica.
A injustiça é a falência, não ideal, mas real, concreta, não da justiça, que "existe" apenas enquanto concepção pura, ideal, mas do ordenamento jurídico como um todo coordenado , que, assim posto e executado, cuspido e regurgitado, cobre todo o território da nação, estado ou pais , distorce o real em ideal, colocando leis belas, que são pura poesia ou odes aos direitos humanos, quando deveria ser prática e práxis social, não o ideal "nobre" e humanitário, mas a realidade nua e crua.
O mercado negro faz o direito negro e movimenta a injustiça, a qual constrói a sociedade, é a práxis social, que contraria o pensamento ideal do iluminista tardio : Marx. O mercado negro e o direito negro polariza a maniquéia que, destarte, movimenta o direito, através do morto em paradoxo.
A justiça e injustiça, o positivo e o negativo, o macho e fêmea são maniquéias que movem o corpo social e o corpo natural em função matemática-maniquéia infinita, no símbolo, que é o único infinito e o único nada, pois apenas é, mentalmente, e não existencial. O ser é mental, mas nem sempre é ente ou coisa na existência, fora da essência da mente geometrizante.
A doutrina do maniqueísmo, dual, não se exprime somente na tensão entre o bem e o mal, mas extravasa essas polaridades e cria outras polarizações. O maniqueísmo é a doutrina do conhecimento, fundada na inteligência do homem ou na leitura que o homem e o animal fazem da natureza. A sociedade e o indivíduo são efeitos da maniquéia, dessa inteligencia percebida em natureza e transformada pelo homem em conhecimento, o qual é uma parte ínfima da sabedoria ou do saber vigente na inteligencia do homem e do animal, fruto da natureza dada a todo ser humano, quer seja esse "humano" homem, animal, vegetal ou mineral.
Aliás, a sociedade funciona em maniquéia, é uma máquina maniqueísta, cujas polaridades se dá e se esgota nos choques que absorvem as individualidades, embates esses que levam aos contratos ou pactos ( sociais ), cuja função é regrar a luta, socializá-la, normalizá-la ou metamorfoseá-la nos esportes, que é um rito estritamente social, que cumpre função social, socializante, ainda quando o que exprime é, aparentemente, solilóquio, tácito, unilateral, tal qual as demais formas de socialização ; a saber :os dramas representados no teatro, nos tribunais, nas novelas, enfim, nas instituições sociais, no lar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

ESFERA (wikcionario wiki wik dicionario cientifico filosofico houais online)

Todo o direito é um negócio jurídico ou se desdobra nisso, nesses atos que levam a fatos. Todavia, essa lindeira idealidade com a realidade, a idealidade, não existe ( não está fora da ideia, nem sequer limite de fato com a realidade, mas apenas de "direito" : é mera presunção intelectual); está apenas em essência, no pensamento, na ideia, esfera do ideal, geometria pura, primeiro desenho da ideia enquanto conceito, concepção imaculada da realidade ( a realidade, a maculada realidade! : maculada pelo fenômeno, pelo processo fenomênica, que mancha a imagem e até entorta as linhas da geometria em curvas de Descartes-Einstein.
Essa idealidade, essa ideia platônica, guardada em relicário na esfera onírica, que é a esfera da geometria, sem curvas até Descartes em parábolas que consertam/concertam a recta, o seguimento de recta, que se curva à inteligencia de Descartes-Einstein e outros geômetras-filósofos não-euclidianos, não tão bons ("eu"!) geômetras para retas ideais, irreais, surreais em Dali e outros daqui e acolá..
Fora dela, da esfera onírica, na existência, que nunca é uma esfera ( perfeita! Não, mas sim imperfeito, por fazer, por realizar, na polaridade oposta do maniqueísmo do homem, desta doutrina que oriente o homem e o animal em natureza de bússola e estrela polar, não apolar, branca no pólo ); quando muito, ao invés de esfera, é um esferóide, formal e real, em forma e conteúdo, forma ditada pela substancia; enfim, um traço que demarca uma esferóide, que é a ideia pousada ou realizada, exprimida pela captação da realidade pelos sentidos, oriunda do fenômeno, que traz á baila o mundo natural. Fora disso, o direito é mera tensão ( tensão espaço-tempo ocasionada pelas várias espécies de polaridades : frio-calor, negativo-positivo, velho-novo, macho-fêmea, inércia-movimento... :as maniquéias que movem o universo e o pensamento do homem, mormente para a ciência e tecnologia ) : Tensão ou espaço tenso, intenso com a junção-tempo, que é a polaridade ideal do espaço (senso interno ao homem e animal ), oriunda do pensamento do homem e do animal que percebe com seu aparato inteligente ( seu senso espaço-tempo esticado e "estilingado" nos sentidos tensos), a qual, enquanto captação fenomênica, funciona consoante a vontade que fica entre a idealidade, no homem-geômetra, em curva de esfera perfeita ( circunferencia) e esferóide, ou seja, próxima ao desenho da ideia, que é o desenho geométrico ingênuo-euclidiano da circunferencia : uma inexistência.A circunferencia é uma essência do homem, posta em geometria, pleo homem geométrico, mas não uma existência, não uma tensão no mundo : uma tensão no homem, um dos pólos da maniquéia. O homem e o animal é um dos pólos da maniquéia, que no homem é doutrina, ou enriquecida com doutrina; no animal é senso prático.
A concepção de perfeição, que está no direito e em toda parte, está contextualizada em Aristóteles, ou pode ser contextualizada lendo o filósofo, porquanto é uma concepção dada pelo estagirita ao abordar a circunferencia, que é o " em torno"(per) feito: a circunferencia é um em torno, um anel, que , em natureza, fora do espaço geométrico, se anela esferóide, próxima à idealização da esfera na circunferencia. Este conceito de perfeição nem é uma ideia, mas uma mera descrição da circunferencia, ou seja, um conceito "concebido" na geometria, que é uma língua-linguagem destinada ao simbólico puro, ao espaço-tempo não fenomênico, mas meramente conceptual, intelectual; um puro pensar ou aprimorar o pensar.
A circunferencia dá uma ideia da ideia, da ideia platônica, bem como todas as figuras geométricas. Figuras que se iniciam e finalizam em si mesmo, criando ou abrindo um espaço ou buraco ( negro) e brusco de espaço no espaço, esquecendo ou eliminando o tempo e o mundo real das coisas observadas através da fenomenologia. São paradigmas da abstração ou da capacidade do homem de abstrair através de conceitos desenhados, figurados, ou escritos, em símbolos ou signos. Signos que algumas vezes são símbolos e símbolos que são signos, conforme a escrita hieroglífica ou alfabética.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

TEOGONIA ( wikcionario wiki wik wikipedia wapedia wikdicionario infopedia )

A única “coisa” de que temos notícia ou fato, enfim, que conhecemos, é a fenomenologia, erudição que os os antigos pensadores e filósofos gregos ( ponha os poetas trágicos e cômicos nessa linha, outrossim os épicos, mormente Hesíodo em "Teogonia" e Homero e ainda os líricos, que levam ao caminho de Orfeu, o poeta-rapsodo mítico. Os demais não seriam igualmente míticos?), denominaram como " filosofia" ou "jogo dos amigos da sabedoria " a através da dialéctica, ou do "Lethos", objecto da dialéctica, que é o "trânsito" ou transporte ou veículo , o "dia ", que leva do velado ( objecto velado ou coisa) à aletheia ou objeto ou coisa desvelada ou com desvelamento através do objeto, que no caso é um método, que é a dialética grega, um conhecimento através do objeto velado, ou do objeto velado, através do velamento no "lethos", o que quer que significa esse fato ou ato ara os gregos, além de poder, por meio dela, compartilhar a amizade ou cultivar a amizade de velhos e jovens, unindo-os num jogo sem azar, um jogo de sorte que levou à filosofia medrar ocidente afora desde a Grécia ou Hélade.

A filosofia é um ato, o ato magno de pensar, desenvolvido e evoluído plenamente na magna Grécia, pois somente o ato é sabido, tem sabor, tem em si o saber, e também pode ser conhecido, no liame da maniquéia entre os pólos, através da tensão que os junta, os liga, vincula ; tão-somente o ato humano do homem, que se prova em si e pensa que é no mundo que mergulha ( e também o é, pela outra via que leva à maniquéia, ao atravessar o campo extenso de tensão que separa os pólos e extravasa as polaridades, para o inicio e fim, não tendo, efectivamente, ou não dando os sentidos, o inicio ou fim, que são meras essências, ou actos, não existências, fatos )

Os gregos brincavam de amiguinhos através da filosofia, algo que disfarçava seus verdadeiros interesses vitais. Jogavam o joguinho da aletheia pela dialéctica, que significa “ através do desvelamento” : esse o dialogo do grego.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

ADREDE (wikcionario wiki wik dicionario-wikdicionario-enciclopedico-dicionario-filosofico-juridico)

Na Mulinha de leite
Carlos Drummond de Andrade
lê-escreve-vê
poema de singeleza tal
qual flor ao luar
precariamente iluminada
no nada
nonada
tecendo texto têxtil
dado em textura de lírio lírico
palpável aos olhos
desviados mecanicamente
pelas flores que sopram em trombetas
o vento mecânico
no túnel do vento
escavada pela velocidade da motocicleta
de Valentino Rossi
ou do mártir maco Simoncelli

O leite extraído é o próprio poeta
metido no homem
postado no pasto interno da mente
externo do corpo
e mais externo ainda
em natureza de pastagem
ordenamento natural das ervas
forrageiras no pasto
verdes-pintadas pelas últimas pinceladas da chuva
com mão de luva
e olho na lupa
boca na uva
língua nos dentes...-de-leão...
( upa-upa-cavalinho-alazão!...)
- Dos cupins mais abaixo-das-ervas-daninhas-maninhas-não
no apogeu do voo as abelhas
marimbondos longos-oblongos
com asas-sem-ápice
para "apis" melífera...
Postulante à simplicidade
despojado do laço de si
solto do laço em si
por si ( de per si?! : será?!, seria?!...)
noviço em viço
a olhar horas a fio
desfiando os segundos em oráculos-do-profeta-Isaías
no relógio dos pobres
- ampulheta de terra e água na mescla da massa
que a mulinha é
assim como fora Kant
no girassol ao giro do olho
- do sol nos olhos
e nos abrolhos
do caminhante entre unhas-de-gato
observando almas-de-gato
- que fazem de mim gato-sapato
e por isso não vão para o céu
ao léu do téu-téu
dizendo o que quer
no "quero-quero!" sincero
do Quero-quero querido
aos olhos do poeta
dentro do homem
Aliás, o poeta não é o homem
e o homem não é o poeta
No entanto estão imbricados
e vida é sempre algo imbricado
com mil suturas
( A vida é esse caminhante
em contraponto
ou fuga louca-irisada
de arco-íris de Íris a Ísis
deusa e mulher-personagem
- ambas as "coisas"vistas-descritas-lidas
em literatura-lida-em-hieróglifos
para egiptólogos e linguistas
reescreverem ou descreverem em parábolas
nos olhos leitores-literatos-estetas de Champollion
sábio sobre a pedra de Rosetta
inclinado ao levante
no Egito dos dois deuses
- um na abóbada celeste
outro no Nilo-Egito-terra-e-água-e-crocodilo-do-Nilo
que também é humano ou água-terra-ou-terra-e-água )

A mula
o mulo
o jumento montado por Jesus...
( os cavaleiros do apocalipse
não virão montado em jumenta
na pia oração do profeta Oséias
um Marx bíblico em doçura de utopia
assente em Mórus
mas não nas três Moiras
a fiar na roca os destinos das gentes )

No jumento montavam os reis
para proclamar a paz
( na palavra a farsa da paz)
enquanto os guerreiros
vinham a cavalo
- em cavalo baio
para a batalha final
no Monte Megido
( A batalha ou a guerra
é o chicote cotidiano
nas prisões sociais
instituídas pelo direito dos donos :
empresas, latifúndios, minifúndios, mercados
- negros mercados para necromantes
sob cobertas da noite
ou brandos mercados
com irmandade branca da branda luz
irmanada a nada
que o peixe nada
e a mula manca)
A mula o mulo o jegue
montado pelo nordestino de terra ressequida
sedenta de justiça e glória
( em Graciliano Ramos?! )
cheia de água-de-leite na mulinha de leite
do-poeta-Carlos-Drummond-de-
Andrade
- um leiteiro do imaginário
que prescinde de leiteiro real-ao-social
( o leiteiro é real apenas
enquanto ator em ricto no rito
- nu ao olho da lua
que desbarata a cena
no Maabárata-Mahabarata-Mahabharata
cujo tema nuclear é o tri-varga :
kama artha e dharma
- tudo isso em devanagari )

Sem embargo dos percalços
o poeta está ali
quedo-caído-em-libélula na água
que cerca buritis no olho
dando a umidade relativa-reativa ao ar
pondo água no leite
- com um olho no leite
outro no gato
e um terceiro olho ( "Terciário")
no peixe cobiçado pelo gato-sapato
adrede
( ao método do Karma
ou atos de desapego
ao caminho da devoção ou Bakti
ou à senda da gnosis ou Jñana
na primeira língua antes de todas as cultas
- talvez a mais erudita
e a filosofia originária
onde bebeu o grego
Sócrates bêbado!
- o sânscrito-dos-sânscritos )

Não
a mulinha do leite
nem tampouco o poeta ao longo da margem
dos versos no álveo do Maabárata
à montante e jusante
pensaram nisto tudo
que estava-está-estará escrito no texto
(em ambos os textos
nos contextos )
já antes dele nascer
dar a cara ao sol ou à lua
estrelas ou outras velas
- antes do tataravô do homem
vir à roda da vida
da terra ou do pião
ou vagar remoto em drone-Drummond
vir-a-ser nas encarnações
no mundo...:
- No mundo!,
novo e velho mundo! :
este antigo pião de Tião!
girando a infância na criança
( criança é termo para criação do mundo para os sentidos externos e internos
ao captar os corpos fora do corpo humano
porquanto tudo na terra
é como dentro do homem
- humano! )

sábado, 22 de outubro de 2011

ORNITÓLOGO ( wikcionario wiki wik dicionario houais wiki wikipedia etimologia enciclopedico )

Ouço um pássaro

Cujo clamor

Emite um comunicado

Que urge atender

Parece pungente

Ou apenas ouço assim

Pelo que é doloroso

No espinho espetado no espírito

Pela língua em lança

Numa palavra

Lançada

Ao encontro do atrito do ar


Não vejo a ave

Apenas vejo a pena

Que sinto dela

Sabedor pelo sentido auditivo

Que é ave

Na emissão de voz

Chamando

Ao longo do voo

Em solitude pelo céu

Com mel ou fel

( feldspato! :

Seria um pato!

A voar no ar

E pelo ar

Sinto a pena

Na pena que sinto

No bater do ritmo

Aritmético

No meu ouvido

Sem mel

Mas com cera

De abelha

Que não está em mim

E está sim

No fenômeno

Que acha um meio

De entrar em mim

Enquanto objeto

Que passa pela subjetividade

Plantado dentro

Vegetativo e em sistema binário

Ou ternário na dialética

- sinto pela pena que tenho

A pena na ave

Alma penada

Que não é alma-de-gato

Nem tampouco ave sem pena

Ou cumprindo pena

Tipificada no código penal

Livro de pena

- obra de dor

E de dar dó

Do dó descompassado

Do ser humano

Não tão-somente do que cumpre a pena

Porém muito mais

De quem aplica a pena

E dos que a fazem cumprir

Porquanto uma pena

Mesmo a mais justa

É comprida demais para um homem

Mais comprida para a vítima

E cumprida não só pelo indivíduo

Que perpetrou o crime

Porém por toda a comunidade

Passando pelo meio do direito

E entre as águas

Que separam o policial do juiz

Que unidos

Fazem o judiciário ser )


A ave que ouvi

Pelo som emitido

Em pleno voo

foi percebida

Pelo alarido

Sua solitude

enfatizava a voz

dava-lhe ritmo e melodia

ao canto lamuriento

perpessado com o frio da solidão

que fere exclusivamente o homem

que a lança ao pássaro

do qual tem uma visão formal

na ideia universal

da ave ideal

a navegar no ar

junto às ondas de som

e outras funções elétricas

magnéticas e mecânicas

enfim, outras realidades físicas

e químicas

- e ciências ainda veladas

Em luz e trevas

Silêncio e rumor


O pássaro ouvido

Ouvi e não ouço mais

No som que vem em carrilhão

No ouvido atuante no tempo

( no ouvido enquanto ator temporal )

Todavia embora não ouça

No tempo agora

- agora escrito

Ou no tempo em que escrevo

Que é neste instante

Na última letra da palavra

Aqui posta em ser

Para expressar o ser

Que é o que homem vê

Sente com todos os sentidos

pois o põe e o conhece

Reconhece

Como se reconhece o homem

Na fotografia...


A ave ouvida

Não escuto mais

Com os ouvidos no tempo

Que é hoje e agora

Na hora da hora

Ou antes disso

No minuto do minuto

( ou da minuta?!... )

E antes do minuto

No segundo do segundo

Mais : antes do segundo do segundo

E do que se segue

Em rumo incerto

- inserto no infinito?!


A ave misteriosa

Coberta nas penas

Não ouço mais

Fora de mim

- No entanto

Dentro de mim

Ouça-a agora mesmo!

- no claro de seu clarim!

sábado, 10 de setembro de 2011

MARC CHAGALL ( La Caída del Àngel, pinturas de la cúpula de la ópera de Paris, portrait of the artist's sister)


Olhar a obra de Chagall
é um desafio poético
além de pictural
- uma invasão à filosofia vegetal do artista
pela decodificação do pensamento vegetativo
do poeta plantado em jardim próprio
- próprio Jardim do Éden e das Hespérides
ambos silvestres dentro do corpo pensante do poeta plástico
- corpo de fauno
para não titubear na semiótica
quando da leitura e posterior escritura
dos geóglifos individuados em cada ser
pelas circunstâncias naturais
e o contexto historial do indivíduo
que é tão único
que não se pode buscar o homem morto
nos rastos de seus filhos na aurora
ou na noite tenebrosa
porquanto os filhos possuem dele
e postam dele no ser
um pedaço desprezível e amuado daquele ser
que na filha vira em muxoxo feminino
pois na reencarnação possível
na graça da escrita genética
o karma é outro
- outros atos e fatos
fazem um ser
que guarda do homem morto
apenas o rasgar do espelho na água

Observar a pintura do artista surreal
é proceder a uma devassa no espírito do filósofo
o qual tem o poder de minorar ou majorar a engenharia na vida
porém não tem poder algum sobre a vida
assente na planta da alma
nem quaisquer recursos contra ou a favor
dos ventos que sopram a alma para o interior da árvore da vida
( a árvore em ritmo de folhas e inflorescências
dentro do corpo humano
que é outrossim um corpo de fauno
meio a meio em anatomia e fisiologia para homem e fauno
- sopra de dentro do anjo que está dentro da forma arbustiva
herbácea ou arbórea
ventos para tocar o veleiro alegórico de Salvador Dali
- que é salvador dali
mas está sempre aqui
- no coração do fauno
o qual é a vida ou alma vegetal
alma em vegetação ou Flora
e na mixórdia do mito
- rito bizantino responsável pela mescla massiva
que faz o animal e o homem
emergindo do corpo anatômico e fisiológico do animal
desenhando a geometria no corpo metafórico do fauno
nos projetos em debuxos e gravados
que faz a poesia nascer
na alma do poeta
- e com a poesia se desenha o corpo humano
anatômico e filosófico
fisiológico e científico
( A poesia é uma clorofila em verde
impregnada na alma do ser humano
e uma pérgula com um anjo azul
e outro anjo sorrindo surrealista
na alma de Salvador Dali

Ah! e a queda do anjo!
com anjo feminil de Chagall em queda livre
com todo o entorno tecendo as circunstâncias :
- com um violino mudo
sem mãos de violinista que o toque
baqueta em cruz
( tudo desenhando um pré-violinista
filho da álgebra árabe
e da geometria grega
duas filosofias para as artes )
violino cruzado-cristão!
ou em cruz sobre o túmulo da música
na estrada cristã
pois a cruz é uma asa desajeitada
que os incautos imaginam que tem a capacidade de voar
além das águias e do falcão peregrino
grudar céu no azul
- no alto azul )

Sol amarelo
vela pálida
burro lívido
mulher com criança ao colo
Cristo crucificado
transeuntes basbaques
com a aldeia ao fundo
casas tortas embriagadas
em passo trôpego de ébrio
que chega da noite pelo rasto alvo da manhã
refletida no orvalho hialino
e figuras negras se retorcendo nas trevas
atrás do feminil anjo escarlate
em túnica carmesim
caindo da altura do céu
- do céu da alma de Marc Chagall!
poeta plástico )

Pairar com o olhar mergulhado sobre a obra de Chagall
é um desafio estético e sapiencial
não de mergulhão
com o cérebro nadando no sangue do peixe
( mergulhão-de-alaotra
ou grebe-de-alaotra
mergulhão-de-touca... )
e procedendo a um périplo pelas Antilhas
respirando água e terras ilhadas
no mar do Caribe ou dos Caraíbas
que foram extintos pelos arrivistas )

Por os pés dos olhos nos caminhos pictográficos de Chagall
é uma invasão bárbara à gnoseologia do autor
empreendida pelo pensamento vegetativo
do poeta aberto ao espaço e tempo da vida
- uma devassa na alma do artista
que fica num enclave entre o vegetal
e o sistema nervoso vegetativo
que desvela o universo em poesia
e a vida em glicose
com uma simplicidade e de uma forma tão versátil
com versos em hemistíquio
e melodia em cacofonia para diatribe
( Alma é flora e fauno
e não o avantesma cristão
- velado abantesma! )

Admirar a obra de Chagall
é observar o homem morto
emaranhado em sua criação
retratado nas suas invenções
codificado na vida
através de signos e símbolos
que fabrica a linguagem poética e matemática
ambas em lógicas diversas
para cada sistema encefálico :
o sistema nervoso central
e o sistema nervoso autônomo
dois modos de pensar
sendo s sabedoria concernente ao sistema vegetal
e o conhecimento ao sistema nervoso central
que limita o ser humano à razão e sensibilidade
( sistema canhestro e anti-fauno )

O artista é irracional
pleno do fauno
quando grafa e pinta a poesia plástica
em sua obra de arte
submetida às normas de uma gramática
que atravessa o imaginário
- arraigado na raiz
que bebe do pensamento em terra
onde está a erva assente
( As ervas andarilhas
são amazonas galopando na ventania
à revelia da credulidade dos estultos
porquanto são filósofas cínicas
compêndios e enciclopédias vivas
com o sistema nervoso autônomo
simpático e parassimpático
que pensa a alma dentro de uma arquitetura
a qual realizam na estrutura de uma engenharia
para ervas formas arbustivas lianas trepadeiras em pérgulas
e outros agentes vegetais
que sintetizam e mantêm a vida
enquanto houver alma na atmosfera
e não sobrarem apenas as bactérias anaeróbicas
- as quais não respiram por alma
ou não captam a alma
nas camadas do ar

As ervas peregrinas
são cépticas no que tange ao Apocalipse
e outros eventos-sonhos ou pesadelos
que pesam nas pálpebras do homem que dorme
- quase como o homem morto
que será um dia
ou noite sobre o dorso do negro corcel a galope desenfreado
levado para nenhum apocalipse real
porém apenas para um ritual em teatro
- sempre religioso é o teatro
a cantar o bode ou Pã
ou outra encarnação mítica
que a miragem do homem no deserto
faz crer real )

Nietzsche transcreveu
num racionalismo irracional
sobre o que há de radical na tragédia
pois a vida é trágica
irracional e vegetal
e pensa a alma pelo método vegetativo
que é uma bifurcação do pensamento
nas terras conquistadas pela floresta das amazonas
- pela amazona que cavalga e apeia da lenda
numa versão feminina de Alexandre Magno
cavaleiro originário da "Magna Grécia"
cuja onomástica não tem compromisso com a historiografia
ou quaisquer outras ares de ciência
sem licença poética

O poeta é irracional
no que põe o ser em hieróglifos
sob forma de poesia
ou vegetação interior
- arraigada ao solo
e aos símbolos nos geóglifos
que dança a dança das três Graças de Canova na poesia
Empunhando o clarinete
bebe o pensamento da terra
que Nietzsche transcreveu
numa racionalização do irracional
posto na solenidade dramática do ritual trágico
pois a vida é tragédia irracional cantada em coro
e vegetal em soro

O vate pensa a alma pelo método vegetativo
sendo o filósofo natural
propagando a filosofia do sistema nervoso vegetativo
esparso na inflação das ervas
exércitos que tomam tudo de assalto
- até a alma
que é uma parte de erva no fauno
( O irracionalismo do filólogo e filósofo alemão
tem um quê de vegetativo
Aliás, é todo o pensamento vegetal profundo
- um pensar vegetal ou vital
a perambular pelo corpo do fauno na vida
e na alma pagã
- que é a vida em verde )

O artista é racional entretanto
ao se utilizar do conhecimento erudito
que é uma forma mitigada
do pensamento vegetativo
mais ancho e criativo
- pensamento criador
( O criador está no núcleo deste pensamento
arraigado nas ervas do sistema nervoso vegetativo ou autônomo
que cuida de manter a alma viva e pensante
na criança com a primavera no corpo
no jovem na intersecção com o fauno
a flora ninfas nereidas
Afrodite Calipígia
Vênus de Milo...
No que tange a lira lírica
concernente ao adulto e ao velho
com a devastação do inverno
e o advento do outono amarelo
- amarelo cavalo do Apocalipse da amazona
com inflorescências amarelas em clarim e trombeta
ressequidas floradas no fim do lilás
do saxofone em fim de improviso musical
a soprar anjos que caem
no tombar das folhas decíduas
de planta caducifólia... )

Ler a obra de um artista
é um trabalho ingente
porquanto demanda uma leitura bifurcada
que se estende da leitura viva do leitor
à leitura morta do poeta
que levou consigo todo um tempo irrecuperável
debaixo do rosto de hera e lodo
que a chuva trouxe
e semeou ao pé do jazigo triste
- de uma melancolia inenarrável
em cada gesto dos operários que o erigiu
ou nas palavras piando desamparadas na lapide
- palavras perdidas
que lembram uma ave perdida de sua mãe
a piar desesperadamente
- o inútil pio do pio ser
( do Pio Papa! )
desenhado por toda a parte
sempre na forma da "Piedade" expressa por Micheangelo Buonarotti
que vaticina toda a dor da vida
com Maria Pia
pranteando o homem morto
no filho morto
- morto em Cristo!
...para a morte eterna

Chagall apenas se lê
e se torna surreal
no canto do galo
quando a alma vem em olhos de quem lê
- de quem abre os olhos dos signos e símbolos
na manhã álacre com o passo no pássaro
que canta todo o candor impresso na barra da alva
ou na flor de laranjeira
flutuantes na alma vegetal das noivas do pintor
( Alma é sempre vegetal
- glicosídeo que sustem a vida
em sintonia fina com o significado em latim )

O pintor da aldeia russa
executou muitos poemas plásticos
com um violino de violinista azul
para acessar o que é celeste em Paganini ou Mendelssohn
e outro violino de violista verde
pastoreando rebanhos de ervas com o vento
em suas pastorais em silêncio áureo
- na calada da noite severa
onde se enredou a tragédia do homem morto
no silêncio do respirar dos violinos
- interlúdio
( Um Stradivarius e um Amati de Cremona )

Chagall é o homem morto
o não-ser universal do homem
que vem do escuro ao lume
e vai de volta da luz ao mar de trevas noturnas
aonde não estava nem era antes de nascer
usufruir do natal
e da curta vida de caramujo
com toda a gravidade de Atlas às costas
na costa do Atlântico ou do Pacífico oceano
- mar oceano

O homem morto eu conheço
ou reconheci na máscara mortuária de meu pai
na mortalha de alguns amigos
em peregrinação ao Hades
descendo ao Seol

Todavia a mulher morta
não conheci senão uma :
- minha avó!
Ela é a Ofélia de Hamlet pintada por Shakespeare
nos quadros com noivas de Chagall
- noivas da vida e da morte
consoante esteja a flor de laranjeira
com alma de perfume desde a barra da alva
fechando os olhos belos e jovens da noiva
com o orgasmo nupcial
após o coito subsequente ao matrimônio na aldeia russa
ou então os olhos vidrados
a contemplar a escuridão inicial e final
na solidão do espasmo da morte
- dançando com um miosótis!...

O homem morto
- a mulher morta
nesta ladainha social
é mais presente e atuante intelectualmente
ou espiritualmente
se o veículo for a religião
do que o homem vivo
- nós que estamos "por aqui!"
( imagine o gesto sugerindo cortar o pescoço
ou se preferir a cabeça dada ao carrasco )
ainda andando em pré-morte
empós o pré-natal
subjugados aos vivos capitães
aos respectivos cônjuges
que se agriolham mutuamente
( casamento putativo! )
e até aos mortos com fundo fóssil
são outros tantos capitães ou capelães
- para cobrir a cabeça
e não ousar descobrir nunca

O mundo vive do medo
que inculcam ao indivíduo
e o indivíduo é o mundo
- o universo preclaro-estelar
e tudo o mais que salta aos olhos
e cabe ouvidos adentro
- tudo que escuta ao percurtir nos ossos do martelo e da bigorna
do ferreiro em oficina no ouvido interno
que temos e somos Vulcanos auditivos
- e tudo o mais que avança e toma de assalto
o cosmos e a cosmologia
a cosmética e a cosmogonia
com a legião de captores de cheiros à frente
armada em infantaria no cavalete de cartilagem do nariz
( as narinas a resfolegar
qual corcel bravio na batalha do apocalipse
a abrir a flor em fragrâncias
em Guerras Púnicas )
- a tez que cobre o frio em corpo
( encorpado xarope com uva para o tinto das coisas
invisíveis de outro modo
- tirantes ao insensível
que viaja vago no espectro
mas não nos olhos em viés geométrico não-euclidiano )
e experiencia a tepidez da manhã anã amarela
tímida ao ser suspensa no azul
e cuja experiência experiencia ela própria
useira e vezeira da doutrina do empirismo
e no ato de auto-experenciar )
que ronda o espírito humano

Tudo e todos é o indivíduo
e não existe mais nada
excepto a nadidade
dada pelo indivíduo
posta ou postada pelo indivíduo
único ser e ente ser solitário no mundo
entre entes
- é um solipsismo de eremita
condenado a uma solidão
insulado na ilha que é
Robinson Crusoé em melancolia perene

Tudo o que está na existência é o indivíduo
- inúmeros deles isolados em si
presos à ilha de dentro
pois há miríades de indivíduos!
- e o sentido da gustação
é a ciência que demonstra num teorema de gastronomia
que tão-somente existe o indivíduo
de onde parte tudo
e nasce o mundo social e o universo
até o dia da morte de qualquer um dos indivíduos
- cada um prova o seu bocado
isoladamente
insulado no arquipélago do sabor individual
que é incomunicável

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ROMA ( cultura gastronomia romana literatura música estrada aqueduto coliseu )

O homem morto
é aquele que só tem vida para trás
- não para a frente
( Vida pretérita não é vida
apenas alegoria de vida
metáfora para a alma morta
sem clorofila e outros glicosídeos
industrializados pelo violinista verde
a um tempo um boticário
e um hábil farmacêutica
dono de uma farmácia de manipulação
- um herborista enfim
herbolário ervanista )

O morto desquita-se da vida
que é o vegetal no ser humano
o qual faz a flora e o fauno
funções do corpo anatômico e fisiológico do fauno
olvidado nos compêndios de medicina e biologia
ou antropologia forense
Possui apenas memória de vida
na alma do retrato
- ponte de luz e sombra
dispersa no tabuleiro de xadrez
com o pé escuro da noite
e o pé claro do dia
a pisar as casas no tabuleiro
- relojoeiro
joeiro a joeirar

Ser de vida pregressa
sua vida é iconográfica
geometria de alma escapista
também verbal
de papel manchado de signos
desenhos em nanquim
- longe do vegetal
do verde vitalício
excepto até onde for pintar as bactérias
sua obra surreal por mãos de Joan Miró
e outros seres verdes naturais
atentos nos miosótis
teimando não serem esquecidos
( "Não-te-esqueças-de-mim"
é a letra da canção lendária
que geme o pobre miosótis
já planta a medrar no Jardim do Éden
primitivo corpo vegetativo do homem
- definido na onomástica como Adão
o Adão onomástico )

Não vegeta sobre o solo
( para clarinete violino terra fresca
com cheiro forte de raiz de erva daninha viçosa )
não mais é vegetativo
- o sinal é negativo para o vegetativo
e não passeia os cabelos crespos pelas ervas
com o pente da brisa fagueira
penteando folhas defraudadas ao vento
qual bandeiras de navios piratas
com bandeira negra hasteada
no navio do capitão Barba-Roxa
ou de algum corsário ou flibusteiro
piratas do Caribe
do mar do Caribe
o mar dos Caraíbas
- autóctones aborígenes indígenas
em pé de guerra contra os alienígenas

O sistema nervoso vegetativo
ao cessar o fluxo vital
o qual fui na água
- rio em cachoeira no sangue
procede à falência dos nervos e órgãos
( Pára os Órgãos dos organistas Buxtehude e Bach )
ao perder o vegetativo verde
na parada ou quietude incômoda da água
que não mais flui ("fluminense") em longo e doce riacho
- fluído indo para baixo
aonde o mar brame e espuma
( sem altitude na ""baixada"" dos Países Baixos )
O simpático e automático ( autônomo ) sistema nervoso
cuja função precípua é alimentar um berço de mar oceano
com uma berceuse composta por Debussy
pensa e nutre os demais sistemas
- pensa a vida
e sabe da alma
e do corpo humano
uma mescla de espaço preenche de matéria
e tempo dinâmico ou energético
- Entretanto o homem morto
que ficou deitado em cruz pelo caminho
é um objeto que perdeu a planta
e a semente angiosperma ou gimnosperma
espargiu pelos caminhos verdejantes ou ressequidos

O homem morto
não partilha do pistilo da flor campestre
portando não está presente na rede vital
que é vegetal nos primeiros passos invisíveis
de uma forma arbustiva a medrar
ou um tronco de árvore a se entortar
no frenesi por raios do sol
porquanto alma é verde
derreia-se pelo verde
- verde clorofilado
afinado pelo violinista verde
e o azul no céu
tocando uma berceuse cerúlea
antes que se proceda à calefação das trevas
e venha célebre montada num alazão
a amazona cuja missão é anunciar de anjo e trombeta
o apocalipse feminino que se avizinha
na ponta dos cascos com ferradura
batendo em ritmo o tambor do solo
( ou solo de tambor
no ritmar das patas do cavalo bravio relinchando pavorosamente
enfatizando que as bestas são convocadas
para porfiar ferozmente e até a morte
na guerra do Armagedom )
solerte e paradoxalmente entregue à própria sorte
e aos sortilégios das feiticeiras
- tudo antes que seja meia-noite
e surja o anjo exterminador
empunhando a espada justiceira
e o exército dos demônios
em legiões romanas
sustente a batalha até a alva
desmaiar no céu
que antes era treva
e boca de treva
a devorar cor
de anã vermelha

Sem sistema nervoso vegetativo
simpático e parassinpático
- carente desses sistemas de pensar a vida
construir arquitetar e manter a vida
hermética na alma
assim o homem morto
não pode mais pensar verde
pensar vegetal ou vegetativamente
refletir e defletir o verde na alma
pintada dentro de um verde invisível
com tinta pra semblante de taitiana
que Gauguim não pintou legível em espectro
não deixou pensada e relatada
mas apenas em nuances de cores do verde
extraído do ciclo vegetativo
que engendra a vida
e a engenharia da alma
( A engenharia da alma é mecânica
move-se no sentido vetor do latim
e na força em aceleração de Newton
o filósofo natural junto à Darwin
que também pensou a vida em natureza )

O homem morto
dependura-se no verbo e no retrato
porquanto sua vida é um artefato
sem alma na concha
- concha acústica
aonde se pensa foi parar o som do mar
no vento rascante

O morto é visível em seu tempo
apenas cercado pelos objetos do seu tempo
que mantém seu corpo metafórico ou em holograma
na jaula da iconografia ou da hagiografia
através dos móveis e utensílios circundantes
circunstanciais
que fazem o tempo
com mãos de carpinteiros e contabilistas
cercando-o de objetos e artefatos
os quais o daguerrótipo flagrou
como resquícios e relíquias no corpo do tempo
quando vivo o homem
a mirar do fundo do retrato
a cantar no fonógrafo
quedo no museu do som
sem as cordas das ondas senoidais ou vocais
registrando a voz guardada no relicário
- dentro do ouvido interno
que escuta o que alguém já ouviu
quando estava com o corpo imerso no tempo
- banhado pela água do tempo
que lhe dava alma
pingando vida na chuva
( O fonógrafo é um ouvinte do tempo
que capta a frequência do homem morto
canta e ouve com ele
junto ao ouvido de quem continua vivo
porquanto o fonógrafo é um ouvido externo
que promove a intersecção entre vivos e mortos
- artefato que guarda o tempo incólume
na Baía de Baffin
no Golfo de Carpentária
ou no mar Cantábrico )

Aquele que pereceu
é um ente inexistente
enterrado no ser
- com alma arraigado no ser
porém não alma natural
mas alma artificial
plantada no discurso
que recolhe e doa essências
onde não mais há existência
do ente fenomênico
que partiu o coração das cinzas
no charuto e no cachimbo
que faz o vento fumar
no evolar e enrolar da fumaça
em volutas espiraladas
que denuncia os caminhos
e a dança ou balé do ar
um bailarino com corpo de vento

O homem morto
Ah! o homem morto!... :
Este ser não mais existencial
teve a vida dissecada por conceitos
concepções filosóficas sobre essências
pois o morto é apenas um corpo sem porto de alma
sem visita de fantasmas
sem existência
sem prática do existencialismo humanista e ateu ou agnóstico
que caracteriza o sábio incréu
pois o filósofo sempre é céptico
diferentemente do parvo
sempre crédulo
e pronto para mudar de crença
conforme a política filosófica instante
no momento vento que passa
pelo om do coqueiro
e do coco que cai
no solo para coco
sopro e instrumentos de cordas no vento
- o vento é templo para música

A morte é uma realidade trágica
para dois poemas
- um poema trágico
ou canto do bode
que pode ser de Pã e dos sátiros
- enfim o canto não do cisne
a celebrar a morte
mas do fauno a afirmar a vida
e conceituar a alma em latim
porém não em significado cristão
mas sim em sentido de latim pagão de Roma imperial
sob césares tenazes e corruptos
Por fim o outro poema é o cômico
uma ópera para rompante de bufão italiano
- ópera bufa
originária da comédia da arte
e da comédia e sátira grega
com Luciano de Samosata no frontispício
e outra obra que traduz a ironia que perpassa o pensar grego
fluindo do racional ao irracional
desequilibrando Shopenhauer e Nietzsche
em tempo desagregado
do homem gregário
face ao morto solitário
ou em solitude corporal

A natureza em flor para o homem vivo
é o paraíso com serpente peçonhenta
- flora e fauna
no imaginário incapaz de ler símbolos
enroscados dentro dos signos
que os gregos tinham ao evocar o deus Pan
o grande sátiro
o bode meio homem
o fauno romano
- enfim um ser divino
porque ente natural ou silvestre
e social no culto religioso
que é o rito da tragédia
- um canto para um deus
ou para vários deuses
pois é a natureza em pelo eriçado de luxúria
que subjaz em inúmeras divindades
- subjacentes divindades
floradas no fauno

Hoje atua a superstição ingênua e totalitária da ciência conceptual
que não sabe ler o fauno
nem tampouco reconhece
a anatomia e fisiologia do fauno
antes a ignoram
por preguiça de desvelar o código subjacente
que assinala a semiologia do fauno

Inspirados e ancorados na obsessão cristã
sobre a monogamia
apresentam e cultuam tão-somente o corpo da deusa
ou corpo de mulher
que ficou sem a companhia de um deus no panteão natural
( e sem sexo consequentemente!
ou com sexo para boneca inflável...:
no uso sagrado da camisinha-de-Vênus )
quando surgiu os conceitos e onomástica para flora e fauna
vegetação e animal
em menoscabo ao princípio fundamental
de macho e fêmea
princípio da gênesis
e da razão suficiente nos filósofos
( eleatas estóicos cínicos idealistas realistas materialistas
pragmáticos ... de filosofia maior ou menor
consoante a necessidade contextual
que veste e reveste a alma
no que urge o tempo
sem mugir nem tugir evidentemente )

A realidade greco-romana
expressa em mitologia
( antiga ciência com poesia
ou ciência com alma
ciência viva
ou ainda filosofia
do filósofo natural à la Darwin ou Newton
ou da filosofia maior de Aristóteles
cujo objeto de estudo é a física ou natureza do fauno
e a metafísica ou pensamento humano
expressão que o compilador do filósofo cunhou
ao sair da física do estagirita
e o pensar do fauno sob o sistema nervoso vegetativo
através das artes poéticas e plásticas
e também da geometria
ciência que mensura o objeto metafísico ou apriorístico )

O estudo do animal enquanto fauno
do corpo do animal sob o corpo metafísico do mito
sendo a mitologia a metafísica primeva dos antigos
um corpo de estudos para pensar o que não é física ou natureza
consoante o "deus" ou a "deusa" seja da mitologia grega ou romana
Afrodite ou Vênus
Esta avoenga anatomia do corpo humano
ao mesmo tempo exprime o vegetal
presente no macho e na fêmea
porquanto é o vegetal o primeiro animal
ou animal lento
de gestos em outro ritmo dentro do tempo
gesticulando em outro espaço para olhar
e o animal
que é o vegetal lépido
livre da raiz
que o prendia ao solo
( A anatomia e fisiologia do fauno e da flora
pode ser estudado dentro do corpo humano
na semente ou sêmen do macho
que é o fauno romano
da indústria extrativista do mito
e no ovo da vida
objeto vital
que expressa o animal o vegetal
no animal fêmea
enquanto flora
na forma poética
e delicadamente poliforme da deusa Flora
ou energia quântica
consoante o violino empunhado pelo homem no tempo inventado
aventado para evento de vento nas narinas sopradas pelo oboé
arcano musical
no coro das Musas com o violino )

Hoje se despreza o fauno
ou forma zoomorfa do ser humano
ou os debuxos da idéia antropomorfa da divindade
presente no homem e na mulher
pela operação da mitologia
nas formas do fauno e da flora
em atenção ao princípio fundamental de macho e fêmea
na dança da natureza
que une fauno e flora
no amor sexual do homem e da mulher
primitivamente uma paixão
expressa na vontade do macho e da fêmea
que buscam se realizar no sexo
e neste dar à luz outro ser

Não obstante o bom senso
prevalece o contra senso
tamanha e tacanha a estupidez científica
transliterada para a onomástica
porquanto não mais o Fauno exprime a natureza do animal
no corpo anatômico e fisiológico do homem
bem como o vegetal
que é onipresença na folhas que circunda a cabeça do fauno
e a cornucópia à mão
pois a demência cristã
que tudo invadiu e perturbou gravemente
enfim, o imaginário sem tato para a arte e a natureza
na ciência cristã
apenas passeia pelo conceito de flora
a deusa da vegetação
ou diva vegetal
ou divindade presente na realidade pelo sistema nervoso vegetativo
que tudo cria e cura
graças ao poder inenarrável da criança miraculosa
( Todo o poder da criança
é o poder de Deus transliterado )
Todavia e contra toda perspectiva filosofante
hoje sob a ciência subserviente ao cristianismo
sobrevive apenas como objeto mental
a duplicação estéril e espúria do feminino
a ignorar a fertilidade
e a necessidade de paixão sexual
do mundo vegetal que está imerso nas matas do sistema nervoso simpático
parassimpático ou autônomo
com piloto natural e automático
autônomo piloto
que guia o sexo do homem
ao sexo da mulher
no princípio que move o universo
com flora e fauno
- e não flora e fauna
( não flora e fauna!
duas expressões para a feminilidade!
- uma aberração do pensamento )
excepto se a opção sexual se orientar no sentido da Ilha de Lesbos
onde se deu a poesia de Safo
que canta o amor entre mulheres
ou do homossexualismo na Grécia e em Roma

O homem morto perdeu a alma
ou teve sua alma retirada pelas narinas
e colocada numa ânfora
e junto à alma retirada cirurgicamente
veio tudo o mais para o exterior
ficando dentro apenas uma disfunção
em mefítica podridão
sob os bálsamos da múmia

Perdida a alma
que é a vida ligando tudo
colando o pó do barro
ou os cacos da ânfora ou o alabastro despedaçado
buscou a idéia
outra forma de alma
que não obstante a forma
não tem conteúdo de alma
não possui vida nem morte
existe e não existe simultaneamente
porquanto é uma mera concepção humana
um pensamento se procurando
no ser que cria o homem vivo
com a alma enterrada no barro do corpo humano

Enquanto idéia
o homem morto é tão-somente
a expressão da idéia em si
fechada em seu circuito ou diagrama esquemático
sendo uma idéia efetivamente algo universal
a simbolizar o homem universal
o qual de fato não existe
uma vez que tal homem
é todo homem ou todos os homens
ou todo homem enquanto indivíduo
separadamente ou insulado do contexto
o que não precede à existência
mas sobrevive apenas em essência lógica
escrita e apta para existir enquanto história
( glifos e hieroglifos e geoglifos nos genes
ou signos genéticos vivos
que se escrevem a si
escritores, auto-escribas que são do corpo humano
cuja arte passa de pai para filho nesta guilda )
e portando ao representar ao idéia de todos os homens
e joeirá-la individualmente
concomitantemente não resta na conta nenhum homem
apenas uma concepção
de que se ocupa a razão
um conceito desenhado
na fina geometria árabe da álgebra
que descansa em belos arabescos
e cálculos tão abstratos
que não são nada
ou então é zero ou menos zero
e também tudo e infinito
simultaneamente e no mesmo espaço

Por fim o homem morto
traz à baila
desde os primórdios
do primeiro morto
a deitar irremediavelmente por solo
a expressão que ficou na lenda do miosótis
a qual exprime uma eufêmia primeva e milenar
a sussurrar `a boca do moribundo
ou do amante preterido
que súplice implora pateticamente
para não se esquecerem dele
quando se perder no azul miosótis do céu
- um mausoléu acima
da cova rasa
a brincar com as ervas daninhas dos baixios
aonde descerá seu corpo
já sem anatomia e fisiologia de fauno
nem guirlanda para a noiva
( uma idéia poética para sexo
casamento reprodução desejo luxúria
e outros demônios de Fussli
que assustam o pobre menino cristão
no quarto escuro ou assombrado!
- sempre Íncubos e Súcubos
na pornografia da Inquisição espanhola!
pois somente assim se justificava
bater o martelo para condenar inocente bruxas
que nem eram bruxas
mas meros conceitos de bruxas )

Por fim e para por fim
- o homem morto
não ressuscita mais
mesmo que fosse cristão
daqueles mártires no Coliseu
servindo de entretenimento a Nero
os nobres e o povo de Roma
( Eles só ressuscitaram na realidade do latim cristão
que cultuava uma alma sobenaturalista )
Nem o latim de Roma
o latim oficial dos eruditos romanos
escrito e falado por Júlio César e Cícero
Ovídio Lucrécio Horácio e Virgílio Romano
que poderia ressuscitar
- de fato não o pode de fato
( "poderia" é verbo indicativo no tempo e modo de inexistência
ou impossibilidade fáctica de existência
apenas possibilidade teórica
ou no ser que o homem fabrica
como o conjunto das coisas
com os objetos e fenômenos naturais
e artificiais no homem
em seus sentidos e significados )
pois conquanto seja o latim
uma língua morta
- apenas um outro homem morto
ou uma mulher morta
sendo língua ou conjunto de signos e símbolos
reunidos pela mente humana
que as arrebanhou dentre os artefatos culturais
- sendo portanto o latim apenas uma língua morta
o que equivale a dizer : um ser humano em signos e símbolos
um ser humano tecnológico
um ser humano alienado no artefato que inventou
não obstante esse fato inconteste
- o latim não tem mais contexto
para ressuscitar enquanto língua
porquanto não está mais na teia da vida
na teia tecida pelos poemas alcançados pela língua
não tem como ressuscitar a aranha
ou a vida simbolizada no aracnídeo "tecelão"
apto a tecer uma teia pontificial
que seja ponte ou liame
entre a alma morta na antiguidade clássica
e a alma vital presente no mundo contemporâneo
alma coeva
Tal tarefa é impossível
mesmo sendo o latim
tão-somente uma língua morta
nada mais que um homem morto em signos e símbolos
com a cruz cristã
cruzando as pernas irônicas
sobre a pedra tumular
à beira da estrada

Do exposto pode se concluir
que nem mesmo uma língua
que é apenas um trapo de homem feito de signos e símbolos
não sendo um ser vivo
não trazendo u fauno dentro de si
pode ( não pode!) ressuscitar dos mortos
e voltar a estar entre os vivos
- imagine um homem
- o homem morto
voltar à vida
arrastar a alma que se perdeu no ar
de volta à inspiração das narinas ansiosas
ou sair da hóstia
tal qual um pintainho do ovo
retomando caminho a pé descalço
neste mundo hostil
com hostes de bárbaros
e hóstias de padres da igreja
a gemer "amém"
na eufêmia infinda
que prostra o homem
semelhante a uma fêmea no coito...
exercendo o santo ofício
ou o sagrado ofício da prostituição
antigo rito de purificação e sacrifício

O homem morto
não é mais o homem
perdeu-se do ser
perdeu o ser
não pode mais dar o ser seu
às coisas que ele transformava em objetos
no entanto continua no ente
presente no corpo cadavérico
que se desmancha paulatinamente
até restar apenas a caveira e os ossos
onde repousa em travesseiro final
sem fronha alguma
nem sono ou sonho
ou pesadelo pesaroso nos olhos
- até que o esqueleto junto com o crânio
desapareça imiscuindo-se na história da rocha
- estela escrita com geóglifos
na língua do fóssil
- língua morta
latim de povo morto